Nascemos de um parto duplamente doloroso. Somos frutos da divisão da Arquidiocese de São Paulo e da divisão da antiga região episcopal Lapa. Nossa história como região caçula pode ser comparada a de Benjamim, filho de Raquel e Jacó. Com esta consciência tivemos que começar do zero. Toda nossa organização estava por ser feita.
Sem dúvida nenhuma o carisma pessoal de dom Angélico Sândalo Bernardino e sua experiência pastoral foram determinantes para nossa história.
Numa animada e disputada assembléia no dia 18 de junho de 1989 na Creche Menino Jesus - Freguesia do Ó, democraticamente escolhemos o nosso nome.
Aliás nosso nome determina nossa vocação para o tipo de existência que devemos sempre escolher ou traz em si um “projeto” a ser permanentemente construído e reconstruído.
Por opção social - os pobres, evidenciados pela má fama do bairro Brasilândia - e naturalmente evangélica decidimos nos tornar Brasilândia. O texto bíblico que foi decisivo para fundamentar esta escolha foi João 1, 35-46, quando do chamado para seguir Jesus feito a Natanael por Felipe. A resposta de Natanael foi de Nazaré pode vir algo de bom?
Escolhendo Brasilândia entre outras propostas decidimos que apesar das desconfianças e suspeitas sobre o povo pobre e de uma igreja que faz opção por ele, da Brasilândia virá sim coisas boas. Ela anuncia como Jesus a libertação que chega. Da zona noroeste da cidade ecoa um grito por libertação que se transforma em salvação para aqueles que sabem que devem vir e ver.
A palavra de convocação foi “mutirão” e não podia ser outra, já que estávamos começando do zero. Trabalhar em mutirão foi para nós uma mística e compromisso com muitas assembléias regionais envolvendo todas as forças da região (decisões pastorais, normas para os sacramentos, para os ministros, etc).
Frases como “precisamos exorcizar os profetas do pessimismo” e outras dirigidas aos padres como “vocês são bispos comigo nesta região” repetidas insistentemente por dom Angélico despertavam em nós a co-responsabilidade e nos desafiavam para o testemunho pastoral conseqüente. E começamos uma linda caminhada.
*Texto do pe. José Renato Ferreira (elaborado para uma apresentação na Assembléia Regional de Pastoral de 2005)
“A partir da reestruturação da Arquidiocese de São Paulo, nasceu em 1989 a nossa querida Região Brasilândia. Um pedacinho do Brasil. Um retrato do rosto vincado pelo sofrimento, crispado pelo medo, entristecido pelo abandono, mas que também é capaz de estampar um sorriso acolhedor e esperançoso.”
“Os desafios enfrentados pela evangelização desta Região, na sua maior parte, são os mesmos da cidade como um todo: evangelizar um povo pobre que enfrenta colossais problemas das distâncias e conduções caras e demoradas; o desemprego crescente das famílias; dificuldades de escolas; sistema de saúde precário... Diante desses e de muitos outros desafios, a Região foi se firmando serenamente na evangelização libertadora.”
*Texto extraído do jornal Voz da Esperança (julho de 1999), edição de comemoração dos dez anos da Região Brasilândia.
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